Panorama do registro de marcas, dos empreendedores e da proteção de ativos no país
Publicação: Observatório Nomus de Marcas · Realização: Nomus Registro de Marcas · Edição: 2026 · Data de corte: 05/09/2026 · Dados definitivos até 2024 e preliminares oficiais para 2025 e 2026, quando indicado
Resumo executivo
O Brasil chegou a 504.461 pedidos de marcas em 2025, alta de 7,9% sobre 2024 e o maior volume da série de 2015 a 2025 consolidada neste relatório. Em dez anos, o número anual de pedidos cresceu 213,6%, saindo de 160.875 em 2015. Isso corresponde a um crescimento médio composto de aproximadamente 12,1% ao ano no período analisado.
A expansão não está restrita a grandes empresas. No perfil de depositantes residentes apresentado pelo INPI em 2025, MEI, microempresas e empresas de pequeno porte respondiam por 48% dos pedidos de marcas, enquanto pessoas físicas representavam 32%. O dado mostra que a atividade marcária brasileira está fortemente ligada ao empreendedorismo de menor porte e à formalização de ativos por indivíduos e negócios em crescimento.
A dimensão do mercado brasileiro também aparece na comparação internacional. Segundo a WIPO, o Brasil foi o 5º maior escritório do mundo em atividade de depósitos de marcas medida por contagem de classes em 2024, com 468.667 class counts. Entre requerentes de origem brasileira, a atividade cresceu 10,4% em 2024, o maior avanço entre as cinco principais origens globais destacadas pela organização. A WIPO também aponta que 66,3% da atividade marcária no Brasil esteve associada a classes de serviços em sua comparação internacional.
Em território nacional, a atividade é concentrada. Os dez estados de maior volume reuniram 85,7% dos depósitos de residentes em 2024. São Paulo respondeu sozinho por aproximadamente 35,5% desses depósitos. Entretanto, quando o volume é ajustado pela população entre os dez estados de maior atividade, Santa Catarina aparece na liderança, com aproximadamente 388,4 depósitos por 100 mil habitantes em 2024.
A concentração também aparece nas cidades. São Paulo foi responsável por 65.066 depósitos de residentes em 2024, ou 15,3% do total nacional de residentes. As dez cidades de maior volume reuniram aproximadamente 33,9% dos depósitos de residentes do país.
Nas classes, o predomínio de serviços é evidente. A Classe 35, relacionada a publicidade e gestão de negócios, concentrou 105.411 depósitos de residentes em 2024, cerca de 24,7% do total. As três classes mais utilizadas reuniram aproximadamente 43,7% dos depósitos de residentes daquele ano.
O cenário de 2026 exige leitura cuidadosa. Até julho, os depósitos de marcas acumulados estavam -15,4% abaixo do mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, os registros de marcas cresceram 152,6% na comparação acumulada. Na média móvel trimestral encerrada em julho, porém, os depósitos voltaram a apresentar crescimento de 2,0% frente ao trimestre encerrado em junho, indicando uma melhora recente no fluxo. Esses movimentos não devem ser interpretados como taxa de aprovação, pois depósitos e registros pertencem a coortes e etapas processuais diferentes.
1. O Brasil ultrapassou meio milhão de pedidos de marcas
Em 2015, o INPI registrou 160.875 pedidos de marcas. Em 2025, o volume preliminar oficial chegou a 504.461. O crescimento acumulado entre os dois pontos é de aproximadamente 213,6%.
A série mostra que a expansão não aconteceu de forma linear. Alguns anos tiveram saltos muito superiores à média, especialmente a partir de 2019. A tabela abaixo apresenta a série consolidada no Observatório, com o status de cada dado.
Ano
Pedidos totais
Crescimento anual
Status
2015
160.875
—
Definitivo
2016
166.368
+3,4%
Definitivo
2017
186.081
+11,8%
Definitivo
2018
205.117
+10,2%
Definitivo
2019
245.844
+19,9%
Definitivo
2020
293.746
+19,5%
Definitivo
2021
389.616
+32,6%
Definitivo
2022
402.063
+3,2%
Definitivo
2023
428.913
+6,7%
Definitivo
2024
467.624
+9,0%
Definitivo
2025
504.461
+7,9%
Preliminar oficial
Fonte: INPI — Tabelas Completas dos Indicadores de PI / BADEPI (2015–2024) e Boletim Mensal de PI (2025)· Período: 2015–2025· Status: Definitivo · Preliminar oficial (2025)· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
Pedidos de marcas no Brasil, 2015–2025
Fonte: INPI· Período: 2015–2025· Status: Definitivo (2015–2024) · Preliminar oficial (2025)· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
Leitura do Observatório: a marca deixou de ser um tema restrito a empresas maduras ou grandes corporações. A curva de depósitos acompanha uma economia em que negócios digitais, serviços, criadores, profissionais e pequenas empresas dependem cada vez mais de ativos intangíveis para diferenciar oferta, reputação e presença no mercado.
2. O estoque de marcas em vigor mostra a dimensão do sistema
Em 31 de dezembro de 2024, o INPI contabilizava 2.636.248 marcas vigentes no Brasil. Mais da metade desse estoque havia sido registrada entre 2015 e 2024.
Esse número ajuda a colocar o fluxo anual em perspectiva. Pedidos novos mostram a demanda corrente por proteção. Marcas vigentes mostram o estoque de direitos ativos acumulado ao longo do tempo. São indicadores diferentes e não devem ser somados ou confundidos.
O volume superior a 2,6 milhões de marcas vigentes reforça que o ambiente marcário brasileiro já possui grande densidade. Para quem cria um novo nome, isso aumenta a importância de pesquisar anterioridades e compreender as classes relevantes antes de iniciar um pedido.
2.636.248
Marcas vigentes no Brasil em 31/12/2024
Fonte: INPI — Anuário Estatístico de Propriedade Industrial 2024. Estoque de direitos ativos, distinto do fluxo anual de pedidos.
3. Pequenos negócios estão no centro da atividade marcária brasileira
Um dos dados mais relevantes do período é a composição dos depositantes residentes. No retrato apresentado pelo INPI em 2025:
48% dos pedidos de marcas de residentes estavam associados a MEI, microempresas e empresas de pequeno porte;
32% estavam associados a pessoas físicas;
17% a empresas de médio e grande porte;
3% a outros perfis.
Isso significa que quatro em cada cinco pedidos, nesse retrato, estavam concentrados entre pequenos negócios e pessoas físicas. O dado muda a percepção de que registro de marca seria uma preocupação típica apenas de companhias estabelecidas. No Brasil atual, a demanda é fortemente empreendedora.
A série histórica consolidada pelo Observatório mostra ainda que a participação combinada de MEI, microempresas e EPP permaneceu próxima de metade dos depósitos de residentes durante grande parte da última década.
Leitura do Observatório: o debate sobre proteção de marcas no Brasil é também um debate sobre pequeno empreendedorismo. Quando microempresas, MEIs e profissionais começam a operar publicamente com um nome, a marca passa a ser parte do patrimônio que sustenta aquisição de clientes, reputação e expansão.
Perfil dos depositantes residentes, 2025
Perfil divulgado pelo INPI para o período de referência da fonte. Fatia residual calculada por diferença quando o detalhamento completo não está consolidado no banco.
48,0% MEI, micro e pequeno porte
32,0% Pessoas físicas
20,0% Demais perfis (cálculo residual)
Fonte: INPI — Relatório de Gestão 2025· Período: 2025· Status: Preliminar oficial· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
4. São Paulo lidera em volume, Santa Catarina se destaca em intensidade
A distribuição dos depósitos de residentes é fortemente concentrada nas maiores economias estaduais. Em 2024, São Paulo registrou 151.107 depósitos de marcas de residentes, aproximadamente 35,5% do total nacional de residentes. Minas Gerais ficou em segundo lugar em volume, com 43.974, seguido por Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro entre os principais mercados.
Os dez estados de maior volume reuniram 85,7% dos depósitos de residentes em 2024.
#
UF
Estado
Depósitos de residentes (2024)
Participação no total de residentes
1
SP
São Paulo
151.107
35,5%
2
MG
Minas Gerais
43.974
10,3%
3
PR
Paraná
34.128
8,0%
4
SC
Santa Catarina
31.298
7,3%
5
RJ
Rio de Janeiro
30.188
7,1%
6
RS
Rio Grande do Sul
22.373
5,3%
7
GO
Goiás
16.518
3,9%
8
BA
Bahia
14.150
3,3%
9
PE
Pernambuco
10.839
2,5%
10
CE
Ceará
10.348
2,4%
Fonte: INPI — Tabelas Completas dos Indicadores de PI· Período: 2024· Status: Definitivo· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
Dez estados com maior volume de depósitos de residentes, 2024
Volume absoluto, porém, conta apenas parte da história. Quando o Observatório relaciona os depósitos de 2024 à população estimada de cada estado naquele ano, Santa Catarina aparece na primeira posição entre os dez estados de maior volume, com aproximadamente 388,4 depósitos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem São Paulo, com cerca de 328,7, e Paraná, com 288,6 depósitos por 100 mil habitantes.
Índice Nomus de Intensidade Marcária Populacional
Fórmula: depósitos de marcas de residentes da UF / população da UF × 100.000.
Posição (entre os 10 maiores)
UF
Estado
Pedidos por 100 mil habitantes
1
SC
Santa Catarina
388,4
2
SP
São Paulo
328,7
3
PR
Paraná
288,6
4
GO
Goiás
224,7
5
MG
Minas Gerais
206,2
6
RS
Rio Grande do Sul
199,2
7
RJ
Rio de Janeiro
175,3
8
PE
Pernambuco
113,6
9
CE
Ceará
112,1
10
BA
Bahia
95,3
Fonte: Elaboração própria a partir de INPI (depósitos) e IBGE (estimativas populacionais)· Período: 2024· Status: Indicador derivado (Índice Nomus)· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
Índice Nomus de Intensidade Marcária Populacional, 2024
Indicador derivado do Observatório. Não mede porcentagem de empresas protegidas: mede a intensidade do fluxo de depósitos em relação à população.
Esse índice não mede a porcentagem de empresas protegidas. Ele mede a intensidade do fluxo de depósitos em relação à população e permite comparar estados de tamanhos muito diferentes. Leitura do Observatório: São Paulo é o principal centro de volume, mas Santa Catarina apresenta uma densidade marcária especialmente elevada quando ajustada pela população — rankings absolutos e proporcionais revelam realidades diferentes.
5. As grandes cidades concentram um terço dos depósitos de residentes
A cidade de São Paulo registrou 65.066 depósitos de residentes em 2024, equivalente a 15,3% do total nacional de residentes.
As dez cidades com maior volume somaram 144.518 depósitos, aproximadamente 33,9% do total nacional de residentes.
O dado histórico também revela mudanças interessantes. Entre essas cidades, Florianópolis registrou crescimento de aproximadamente 305,2% nos depósitos entre 2015 e 2024. Goiânia cresceu cerca de 254,0% e Brasília, 204,0% no mesmo intervalo.
O ranking confirma a força das grandes capitais, mas o crescimento proporcional de algumas cidades indica que a atividade marcária está se expandindo para além dos centros tradicionais.
6. A Classe 35 domina o registro de marcas no Brasil
A Classificação de Nice organiza produtos e serviços em 45 classes. Em 2024, a distribuição dos depósitos de residentes brasileiros apresentou forte concentração em algumas delas.
A Classe 35, associada a publicidade e gestão de negócios, liderou com 105.411 depósitos, aproximadamente 24,7% dos depósitos de residentes.
Posição
Classe
Tipo
Descrição resumida
Depósitos 2024
Participação
1
35
Serviços
Publicidade e gestão de negócios
105.411
24,7%
2
41
Serviços
Educação, atividades esportivas e culturais
57.765
13,6%
3
42
Serviços
Serviços científicos e tecnológicos
22.905
5,4%
4
44
Serviços
Serviços médicos e de beleza
22.220
5,2%
5
25
Produtos
Artigos de vestuário, calçados e chapelaria
21.040
4,9%
6
37
Serviços
Serviços de construção civil e reparo
20.232
4,7%
7
43
Serviços
Serviços de alimentação e hotelaria
17.841
4,2%
8
36
Serviços
Seguros e negócios financeiros
15.250
3,6%
9
9
Produtos
Aparelhos e instrumentos científicos e tecnológicos
As dez classes acima reuniram aproximadamente 72,1% dos depósitos de residentes. Apenas as três primeiras representaram cerca de 43,7%.
Além do volume, algumas classes apresentam forte crescimento de longo prazo. Entre 2015 e 2024, a Classe 37 cresceu aproximadamente 291,3%, a Classe 44, 286,3%, a Classe 36, 261,1% e a Classe 35, 259,1%.
A liderança de classes de serviços também aparece na comparação internacional da WIPO. Em 2024, classes de serviços representaram 66,3% da atividade de marcas no Brasil na metodologia de contagem de classes usada pela organização, a maior participação entre os escritórios selecionados na comparação divulgada pela WIPO.
Leitura do Observatório: a economia de marcas brasileira é fortemente orientada a serviços. Publicidade, comércio, educação, tecnologia, saúde, construção, alimentação e serviços financeiros aparecem entre os principais vetores da atividade marcária.
7. O Brasil está entre os cinco maiores mercados marcários do mundo
A comparação internacional exige cuidado metodológico. Alguns países permitem pedidos multiclasse. O Brasil utiliza, em regra, um sistema em que cada pedido nacional se refere a uma classe. Para tornar diferentes escritórios mais comparáveis, a WIPO usa a contagem de classes especificadas em pedidos, chamada application class count.
Por esse critério, o Brasil ocupou a 5ª posição mundial entre os escritórios de marcas em 2024, com 468.667 application class counts. O ranking dos cinco maiores foi:
Posição
Escritório
Application class counts (2024)
1
China
≈ 7,0 milhãoes
2
Estados Unidos
795.337
3
Rússia
567.227
4
Índia
555.613
5
Brasil
468.667
Fonte: WIPO — World Intellectual Property Indicators 2025 / IP Facts and Figures 2025· Período: 2024· Status: Externo oficial (contagem de classes)· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
Maiores escritórios de marcas do mundo, 2024 (application class counts)
Fonte: WIPO· Período: 2024· Status: Externo oficial (class counts)· Atualizado em: 05/09/2026· Elaboração: Observatório Nomus de Marcas
Entre requerentes de origem brasileira, a WIPO registrou cerca de 436.338 contagens de classes em pedidos domésticos e no exterior em 2024. O crescimento foi de 10,4% frente a 2023, o maior entre as cinco principais origens destacadas pela organização.
Outro dado chama atenção: serviços empresariais responderam por 26,6% da atividade marcária do Brasil na agregação setorial usada pela WIPO em 2024, ocupando a primeira posição entre os setores no país.
Leitura do Observatório: o mercado brasileiro de marcas já possui escala internacional. O país não é apenas um grande mercado consumidor. É também uma das maiores origens e um dos maiores escritórios de atividade marcária do mundo.
Nota metodológica obrigatória: os números internacionais da WIPO são contagens de classes. Eles não devem ser somados ou comparados diretamente como se fossem a mesma métrica dos pedidos totais publicados pelo INPI.
8. O que 2026 já mostra
Os dados correntes de 2026 apresentam um cenário diferente da sequência de crescimento observado até 2025. Segundo o Boletim Mensal de Propriedade Industrial do INPI, no acumulado de janeiro a julho de 2026 os depósitos de marcas estavam -15,4% abaixo do mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, os registros de marcas cresceram 152,6%.
Na média móvel trimestral, comparando o trimestre encerrado em julho com o trimestre encerrado em junho, houve crescimento de 2,0% nos depósitos de marcas e de 1,2% nos registros de marcas.
Painel de conjuntura 2026
Depósitos acumulados
-15,4%
Jan–Jul/2026 vs Jan–Jul/2025 · Preliminar corrente
Registros acumulados
+152,6%
Jan–Jul/2026 vs Jan–Jul/2025 · Preliminar corrente
Média móvel trimestral — depósitos
+2,0%
Trim. jul/2026 vs trim. jun/2026 · Preliminar corrente
Média móvel trimestral — registros
+1,2%
Trim. jul/2026 vs trim. jun/2026 · Preliminar corrente
A leitura exige duas cautelas. Primeiro, o salto nos registros concedidos não deve ser interpretado como aumento equivalente na probabilidade de aprovação. Pedidos depositados e registros concedidos em um mesmo período não correspondem necessariamente às mesmas coortes de processos. Segundo, a queda acumulada de -15,4% nos depósitos não significa que o ano esteja encerrado em contração. A melhora da média móvel trimestral mostra que a tendência de curto prazo pode estar mudando.
Em abril de 2026, o INPI publicou cenário econômico com projeção de 518.447 depósitos de marcas em 2026, elaborada em março. Como toda projeção, esse número não é realizado e deve ser acompanhado à luz dos dados mensais posteriores.
Leitura do Observatório: 2026 é, até aqui, um ano de contraste. O fluxo de novos depósitos perdeu força em comparação ao recorde de 2025, enquanto o fluxo de registros apresentou forte expansão. O comportamento do segundo semestre será decisivo para definir se a queda acumulada dos pedidos persiste ou se a recuperação recente ganha intensidade.
9. O crescimento empresarial amplia a relevância da marca como ativo
O Mapa de Empresas registrava 25.400.000 empresas ativas no Brasil em julho de 2026. Apenas naquele mês, aproximadamente 485.000 empresas foram abertas, com tempo médio de abertura de 23 horas.
Esse dinamismo importa para o mercado de marcas porque cada novo negócio precisa operar sob algum sinal de identificação, seja nome empresarial, marca, nome de produto, nome de serviço ou combinação desses elementos.
Entretanto, empresa aberta e marca protegida são conceitos diferentes. CNPJ, nome empresarial, domínio e perfil em rede social não equivalem a registro de marca.
O Observatório evita uma conclusão que os dados disponíveis não permitem: não é correto dividir simplesmente o número de marcas pelo número de empresas e afirmar que o resultado é a porcentagem de negócios protegidos. Para medir uma verdadeira taxa de proteção empresarial seria necessário identificar titulares únicos, deduplicá-los e harmonizar metodologia e período.
Por isso, o Índice Nomus de Intensidade Marcária Empresarial é tratado nesta V1 como um indicador de fluxo relativo, não como percentual de empresas protegidas.
10. Indicadores do Observatório Nomus
O Observatório utiliza dados públicos oficiais para construir indicadores derivados com metodologia explícita. Os resultados de referência abaixo são resolvidos a partir das métricas consolidadas no banco do Observatório.
Resultado de referência: SC: 23,2 por 1.000 registros (2024)
Limitação: o denominador pode incluir matrizes, filiais e MEIs, e o período do estoque empresarial pode não coincidir com o dos depósitos. O indicador não representa a porcentagem de empresas com marca.
Índice Nomus de Intensidade Marcária Populacional
Fluxo anual de depósitos residentes em relação à população
Fórmula: depósitos residentes / população × 100.000 (unidade: por 100 mil hab)
Resultado de referência: SC: 388,4 por 100 mil hab (2024)
Índice Nomus de Participação de Serviços
Rotular como atividade por classes quando a fonte contabilizar classes e não pedidos.
Fórmula: atividade de classes 35-45 / atividade total de classes × 100 (unidade: %)
Índice Nomus de Serviços Marcários
Participação das classes de serviços na atividade de marcas
Fórmula: classes de serviços (35-45) / total de classes × 100 (unidade: %)
Resultado de referência: 66,3% (2024, contagem de classes WIPO)
O Observatório não publica, nesta edição, uma “taxa de empresas protegidas” porque a metodologia exigiria identificação e deduplicação de titulares únicos. Também não publica um índice de internacionalização enquanto as bases doméstica e internacional não estiverem harmonizadas de forma suficiente.
11. Dez conclusões do Estado das Marcas no Brasil 2026
O Brasil ultrapassou 500 mil pedidos de marcas em 2025. O volume preliminar oficial foi de 504.461 pedidos, 7,9% acima de 2024.
A atividade mais que triplicou em uma década. Entre 2015 e 2025, os pedidos cresceram aproximadamente 213,6%.
Pequenos negócios estão no centro do mercado. MEI, microempresas e EPP representavam 48% dos pedidos de residentes no retrato de 2025 divulgado pelo INPI.
A marca é também um ativo de pessoas físicas. Pessoas físicas respondiam por 32% no mesmo perfil.
São Paulo domina o volume absoluto. O estado respondeu por aproximadamente 35,5% dos depósitos de residentes em 2024.
Santa Catarina se destaca quando o tamanho da população é considerado. Entre os dez estados de maior volume, liderou o índice populacional do Observatório em 2024.
A cidade de São Paulo sozinha concentrou 15,3% dos depósitos de residentes em 2024. As dez maiores cidades somaram 33,9%.
A Classe 35 domina a atividade. Publicidade e gestão de negócios concentraram 24,7% dos depósitos de residentes em 2024.
O Brasil é uma potência marcária global. Foi o 5º maior escritório do mundo em 2024 segundo a WIPO, usando contagem de classes.
2026 está sendo um ano de ajuste. Até julho, depósitos acumulados caíam 15,4%, mas a média móvel trimestral já mostrava alta de 2,0% e os registros concedidos acumulavam forte crescimento.
12. O que esses dados significam para quem empreende
Os números deste relatório não dizem que toda empresa precisa registrar dezenas de marcas ou classes. Também não dizem que um pedido será aprovado ou que determinada classe garante proteção universal.
Eles mostram outra coisa: o uso do sistema de marcas cresceu fortemente no Brasil e passou a fazer parte da realidade de milhões de empreendedores, empresas e profissionais.
À medida que a economia digital reduz barreiras para abrir empresas, vender online, construir audiência e lançar produtos, o nome passa a circular mais rapidamente e diante de mais pessoas. Isso aumenta o valor econômico da identidade e também o risco de conflito com sinais anteriores.
A proteção de marca deve ser tratada como decisão de negócio. Ela começa pela compreensão da atividade, pesquisa de viabilidade, escolha adequada das classes e protocolo perante o INPI, que é a autoridade responsável pela análise e concessão de registros no Brasil.
A Nomus Registro de Marcas é uma empresa de tecnologia focada em simplificar essa jornada. Pela plataforma, o empreendedor pode centralizar pesquisa de viabilidade, orientação de classes, pagamento, envio de documentos, protocolo e acompanhamento do processo de forma online.
O objetivo do Observatório Nomus de Marcas é complementar esse trabalho com informação pública, metodologia transparente e análises que ajudem o mercado a compreender melhor como a proteção de marcas está evoluindo no país.
Metodologia
Fontes principais
Esta edição utiliza informações oficiais provenientes de: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); Base de Dados Estatísticos sobre Propriedade Industrial (BADEPI); Anuário Estatístico de Propriedade Industrial 2024; Tabelas Completas dos Indicadores de Propriedade Industrial; Boletins Mensais de Propriedade Industrial; Relatório de Gestão INPI 2025; Cenário Econômico da Propriedade Industrial no Brasil (abril de 2026); Mapa de Empresas (Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e World Intellectual Property Organization (WIPO).
Definitivo versus preliminar
Dados até 2024 são tratados como definitivos quando provenientes da BADEPI, Anuário ou Tabelas Completas do INPI. Dados de 2025 e 2026 provenientes de boletins mensais são identificados como preliminares oficiais ou correntes. Projeções são identificadas explicitamente como projeções e não são apresentadas como resultados realizados.
Pedidos versus registros
Pedido ou depósito representa o início de uma solicitação de registro. Registro representa uma concessão após o processo de análise correspondente. Não é metodologicamente correto dividir registros concedidos em determinado ano pelos depósitos do mesmo ano para inferir uma taxa de aprovação, pois as duas grandezas podem se referir a coortes diferentes.
Contagem de pedidos versus contagem de classes
O INPI e a WIPO podem apresentar números diferentes porque utilizam metodologias distintas em determinados indicadores. A WIPO utiliza application class counts para tornar países com sistemas de depósito diferentes mais comparáveis. Esses números não devem ser somados ou usados como substitutos automáticos da contagem de pedidos do INPI.
Índices derivados
Os indicadores com a marca “Índice Nomus” são cálculos do Observatório feitos a partir de dados oficiais de terceiros. A fórmula e as limitações devem permanecer públicas. Nenhum índice do Observatório deve ser interpretado como certificação oficial do INPI, IBGE, WIPO ou MEMP.